TEMA: História oral de professores LGBTS no contexto escolar, a diversidade sexual na rede de ensino de Três Lagoas.
No presente projeto, visamos trazer a tona uma reflexão acerca da sexualidade dos professores no âmbito escolar. A escola é um local de sociabilidade, detentora de um poder capaz de gerar transformações. No entanto ainda é conservadora para certas temáticas, principalmente o “tabu” da homossexualidade.
Nesse contexto nos propomos a buscar compreender o papel dos professores LGBTS no contexto escolar, com ênfase na sua posição perante a sexualidade “fora do armário”. Atentaremos desta forma para sua “identidade” numa sociedade preconceituosa diante da diversidade sexual. São interessantes as considerações de Sedgwick ao discorrer sobre ato de assumir-se:
Mesmo uma pessoa gay assumida lida diariamente com interlocutores que ela não sabe se sabem ou não. É igualmente difícil adivinhar, no caso de cada interlocutor, se, sabendo, considerariam a informação importante. No nível mais básico, tampouco é inexplicável que alguém que queira um emprego, a guarda dos filhos ou direitos de visita, proteção contra violência, contra “terapia”, contra estereótipos distorcidos, contra o escrutínio insultuoso, contra a interpretação forçada de seu produto corporal, possa escolher deliberadamente entre ficar ou voltar para o armário em algum ou em todos os segmentos de sua vida. O armário gay não é uma característica apenas das vidas de pessoas gays. Mas, para muitas delas, ainda é a característica fundamental da vida social, e há poucas pessoas gays, por mais corajosas e sinceras que sejam de hábito, por mais afortunadas pelo apoio de suas comunidades imediatas, em cujas vidas o armário não seja ainda uma presença formadora. (SEDGWICK, 1990, p.22)
Considerando tais apontamentos faz-se necessário pensar em soluções conjuntas, percebemos que a escola tornou-se um espaço ao qual está intimamente ligada aos modelos normativos, pois possivelmente prefere ocultar as visibilidades oprimidas pela sociedade, como se naquele espaço fosse proibido falar em homossexualidade. Nesse sentido as considerações da autora são pertinentes, pois, nos fazem refletir sobre a postura de se identificar como homossexual pelos professores (as).
São interessantes as considerações de Freire ao discorrer sobre “o ser educador” e o “ensinar”, e principalmente ao “assumir-se”, não só o ato de assunção no sentido da sexualidade, mas muito além dos paradigmas tradicionais, pensando na relação professor - aluno:
Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com outros e todos com o professor ou a professora ensaiam a experiência profunda de asumir-se. Assumir-se como ser social e histórico como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar. Assumir-se como sujeito porque capaz de reconhecer-se como objeto. A assunção de nos mesmos não significa a exclusão dos outros. É a “outredade” do “não eu”, ou do tu, que em faz assumir a radicalidade do meu eu. (FREIRE, 1996, p.41)
Sob essas perspectivas que tomaram curso o projeto, construído juntamente com tais docentes, e sua colaboração perante suas narrativas, que serão reflexo do seu dia-a-dia como gay e/ou lésbica “fora do armário” na rede de escolas do município.
EDUARDO CAPUTE
JOSIANE SIMÃO DA SILVA
LOANA MARTINS